Lugar à Cultura


“O País deve apostar, de uma forma clara, na Cultura”
24 de Fevereiro de 2010, 22:00
Filed under: Ciência

Médico, Professor na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, autor de diversos livros, ele é também administrador da Fundação Ciência e Desenvolvimento que gere o Teatro Campo Alegre, o Planetário do Porto e o Pavilhão da Água. Falamos de Rui Nunes com quem conversámos em mais um «Lugar à Cultura». Uma conversa que aconteceu no dia 24 de Fevereiro, um dia antes de as «Quintas de Leitura» do Teatro Campo Alegre (TCA) cumprirem a centésima sessão. Recorde-se que as «Quintas de Leitura» são um fenómeno nacional que quase há oito anos conseguem esgotar o auditório do TCA com pessoas que pagam para ver e ouvir poesia. Um sucesso com o qual Rui Nunes, enquanto administrador da Fundação Ciência e Desenvolvimento, se congratula. “Significa que há uma boa oferta cultural e que as pessoas respondem a essa mesma oferta”.

Aliás, Rui Nunes considera que o Porto já tem uma boa oferta cultural e “à semelhança do que acontece em Londres, por exemplo, o Porto deve apostar numa coisa muito importante que é o Turismo Cultural. Para quem não sabe, o Turismo Cultural em Londres é a maior fonte de rendimento”. Um meio para captar novos públicos e uma forma de dar a conhecer melhor a cidade, o seu património arquitectónico e religioso.

De um modo geral, Rui Nunes concorda que o País deve apostar mais na Cultura. Até porque, um povo culto é um país mais rico. Para ouvir um excerto desta conversa basta clicar aqui.



“Para mim, não há Educação Musical sem Educação Cívica”
17 de Fevereiro de 2010, 22:15
Filed under: Música

 

O Jazz e os clássicos (con)vivem em perfeita harmonia no n.º 366, da Rua de Brito Capelo em Matosinhos. Falamos da Carl Orff Projecto – Educação Musical, cujo director foi nosso convidado esta semana no «Lugar à Cultura». Paulo Alexandre Jorge, nascido na Beira, em Moçambique, cedo vem para a Metrópole com a família e, apesar das influências musicais de sua mãe que cantava fado e do seu avô que tocava guitarra e tinha uma enorme colecção de discos de fado, não foi esse o percurso musical que escolheu.

Depois de ter estudado música clássica, essencialmente do período Barroco, dá “um salto de 300 anos”, como o próprio admite e apaixona-se pelo Jazz. “Não sei muito bem como é que isto aconteceu… A memória que tenho foi de um dia ter visto um filme onde ouvi uma música de Jonh Coltrane “A Love Supreme” que, simplesmente, me encantou. Durante uma semana, o meu pai deve ter pensado que eu enlouquecera, porque eu não fiz mais nada a não ser ouvir aquele disco. Eu não o percebia, mas gostava de ouvi-lo”. O gosto foi-se entranhando, “chateia-se um bocadinho com a flauta de Bisel”, e decide aprender a tocar trombone “mas não resultou e, ao fim de um ano, é o próprio professor que me aconselha a mudar para o saxofone”.

Actualmente, Paulo Alexandre Jorge, além de director da Carl Orff Projecto – Educação Musical é também professor de Música. E é com orgulho que afirma que naquela escola “não formamos apenas as pessoas musicalmente, também as formamos civicamente. Para mim, não há Educação Musical, sem Educação Cívica”.

Actualmente, a escola tem 90 alunos, cujas idades variam entre os dois anos e seis meses e os 69 anos. Uma particularidade muito interessante é que todos os alunos fazem parte dos muitos agrupamentos que entretantose têm formado, nomeadamente os BluesOrff (uma autêntica orquestra de Jazz), os Toobluzzz, os ByeByeAdriana, os JohnCalldaTrain, os MúsicadiGiorgio, os GaragemOrff, sem esquecer o EnsembleOrff que esta temporada trabalha Bach.

Para conhecer melhor esta escola pode visitar o blogue.



“Ao contrário do que se diz, cada vez se lê mais, cada vez se escreve mais e cada vez se compram mais livros”
17 de Fevereiro de 2010, 21:45
Filed under: Literatura

A uma semana do arranque da 11.ª edição do Correntes d’ Escritas, Luís Diamantino, vereador do Pelouro da Cultura da Póvoa de Varzim, veio ao «Lugar à Cultura» falar-nos desta festa da literatura, que irá decorrer naquela cidade entre os dias 24 e 27 de Fevereiro.

A sessão de abertura deste ano vai estar a cargo da ministra da Educação, Isabel Alçada, sobejamente conhecida como escritora e responsável pelo Plano Nacional de Leitura. Outro dos destaques vai para a Revista que este ano é dedicada a Agustina Bessa-Luís, uma eterna apaixodana pela Póvoa de Varzim, não tivésse ela ali passado os melhores anos da sua meninice.

Além das habituais mesas redondas, sempre muito concorridas, bem como as visitas dos escritores às escolas onde conversam com as crianças e os jovens, e ainda dos vários prémios que vão ser entregues ao longo do Correntes, a edição deste ano apresenta algumas novidades. Desde logo a parceria com a Booktailors e a Revista LER e ainda a parceria com a Universidade do Porto e o Jornal de Letras e Ideias.

Fazendo uma retrospectiva, podemos já falar em centenas de escritores que já passaram pela Póvoa de Varzim. Isto sem esquecer, editores, críticos, agentes literários, jornalistas, professores e, claro, muitos leitores.

O Correntes d’ Escritas não é apenas uma festa da literatura, daí que o teatro e o cinema também estejam presentes. Igual destaque merece também a feira do livro que decorre ao longo destes quatro dias.

Por tudo isto, Luís Diamantino congratula-se com o sucesso e o êxito que o Correntes tem tido e continua a ter e alegra-o o facto de nos últimos anos terem começado a surgir mais eventos semelhantes daí que o vereador da Cultura da Póvoa de Varzim não hesite em afirmar que “ao contrário do que se diz, cada vez se lê mais, cada vez se escreve mais e cada vez se compram mais livros”. Pode ouvir a conversa com o Dr. Luís Diamantino aqui.



“Quando fiquei grávida senti uma vontade súbita de pintar”
10 de Fevereiro de 2010, 21:30
Filed under: Pintura

A segunda convidada, no nosso programa de estreia, chama-se Maria CristinaValente. Uma advogada que, há 15 anos, concilia a sua profissão com a paixão pela Pintura.

Depois de ter participado em diversas colectivas, Cristina Valente experimentou, em Janeiro deste ano, a emoção de uma exposição individual. «Páginas de uma história de cor» esteve patente ao público no Clube Literário do Porto e agradou ao muito público que a visitou.

Durante a nossa conversa com Cristina Valente percebemos que é uma mulher muito determinada e organizada: “Durante a semana sou a advogada, ao fim de semana, principalmente, ao sábado que é quando pinto, parece que me transformo noutra pessoa”. (Clique aqui para ouvir um excerto da conversa com Cristina Calente)

Mas, então, e como é que uma advogada se transforma numa pintora? A esta pergunta, Cristina responde com um enorme sorriso dizendo que não houve propriamente uma transformação, ou seja “o gosto pelo desenho e pela pintura sempre esteve dentro de mim, desde muito jovem. No entanto, quando chegou a altura de entrar para a faculdade decidi seguir Direito, porque achei que me ia dar bases e preparação para um futuro profissional e que poderia desenvolver o gosto pela pintura como hobby”. O que é certo é que o tempo foi passando e só ao fim de 15 anos, quando estava grávida da sua filha, decidiu ‘investir’ nessa paixão adormecida.

“Nessa altura, decidi inscrever-me num atelier – no Atelier do Artur Terra – que é óptimo, e desde aí nunca mais deixei de pintar. Todos os sábados pinto e se, por algum motivo, não pintar sinto a falta”.

 



“Só as pessoas inteligentes sabem fazer crochet”
10 de Fevereiro de 2010, 21:00
Filed under: Cinema, Escultura, Literatura

A nossa primeira convidada, Beatriz Pacheco Pereira, é uma mulher multifacetada. Escritora, escultura, crítica e especialista de cinema, ela é, também, fundadora e directora do Fantasporto. Festival de cinema que há 30 anos acontece na Invicta Cidade do Porto e que este ano acontece entre os dias 27 de Fevereiro e 6 de Março.

Se não teve oportunidade de assistir à nossa conversa na quarta-feira à noite, convido-o a clicar aqui para assitir a um excerto da conversa que mantivémos com Beatriz Pacheco Pereira ao longo de quase meia hora. Tempo que serviu, essencialmente, para a nossa convidada falar do seu vastíssimo trabalho, e levantar a pontinha do véu sobre a exposição de escultura que este pretende realizar “talvez lá para Outubro”, segundo a própria. É importante ressalvar, que apesar de apenas em 2009 ter sido tornada pública a paixão de Beatriz pela escultura, esta é uma arte que há muito desenvolvia.

Beatriz Pacheco Pereira é uma mulher com uma autoestima fora do normal. E atrevo-me a afirmar isto, porquê? Porque é admirável tanto a forma como fala do seu trabalho, como a firmeza com que diz gostar de tudo o que faz “porque de outra forma não o fazia”. Sem falsas modéstias Beatriz assume toda a sua polivalência, inclusivé o gosto por fazer tricot, até porque, conforme faz questão de afirmar: “só as pessoas inteligentes sabem fazer crochet”.

Depois de uma incursão pelo seu percurso profissional, do qual a paixão pelo cinema é a mais antiga. Beatriz fala mesmo de vocação, acrescentando que desde os seis anos começou a gostar de cinema e a escrever sobre cinema “cheguei a criar um código secreto, com símbolos, para fazer a minha crítica”.

Sobre o Fantas e dos seus 30 anos, Beatriz fala com orgulho, mas ao mesmo tempo fala também em responsabilidade, sem esquecer as difiuculdades que têm surgido ao longo destes anos. Esperando que o Teatro Rivoli continue a ser o ‘quartel general’ daquele que é o maior festival de cinema do País, com reconhecido mérito internacional.

Na edição deste ano, de entre os muitos filmes que vão ser projectados, o destaque vai para a Robótica no cinema e nos diversos workshops que vão decorrer. Ou seja, as artes transversais ao cinema continuam a ser uma presença no FantasPorto.