Lugar à Cultura


“O segredo, se é que há segredo, está na sinceridade com que faço o meu trabalho”
10 de Março de 2010, 23:15
Filed under: Música

Músico, divulgador musical e responsável pela iniciativa SABER OUVIR – Curso Livre de História da Música, ele é também o cooredenador do Ciclo de Concertos comentados «Pianistas Bracarenses». Falamos de Miguel Leite. Um verdadeiro apaixonado pela música, com um carinho muito especial pela música clássica. Um tipo de música a que se habituou em tenra idade, graças à avó paterna. Tanto que durante a sua juventude achava estranho que os seus amigos não gostássem de música clássica como ele. “Só os meus colegas que andavam no Conservatório Calouste Gulbenkian é que, obviamente, gostavam desse género de música como eu. Os outros não”. A explicação é simples: “não se pode gostar daquilo que não se conhece”.

Relativamente à sua actividade profissional e ao êxito que vai tendo, Miguel Leite é peremptório: “O segredo, se é que há segredo, está na sinceridade com que faço o meu trabalho”. Um trabalho que lhe dá um prazer tremento e que é assente em três pilares: no SABER OUVIR – Curso Livre de História da Música, no Ciclo de Concertos «Panistas Bracarenses» e num programa de rádio, na Rádio Universitária do Minho, do qual é autor e apresentador e que é mais um veículo de divulgação da música.

Relativamente ao SABER OUVIR, em Braga vai já na terceira edição. Também já o realizou em Esposende e na Invicta, no Clube Literário do Porto, onde vai fazer uma segunda edição em Outubro deste ano, altura em que também vai arrancar em Coimbra, na Fundação Bissaya Barreto.

O Ciclo de Concertos «Pianistas Bracarenses» arranca já na sexta-feira, às 21h30, no auditório do Conservatório Calouste Gulbenkian e tem como convidados o Maestro António Vitorino d’Almeida e a jovem pianista Madalena Garcia Reis que vai tocar a «Relíquia» a 4 mãos com o Maestro. Estes concertos são sempre comentados por Miguel Leite, mas neste caso em concreto, Vitorino d’Almeida também vai participar.

Migel Leite trouxe um convidado consigo ao «Lugar à Cultura», trata-se do músico, compositor e professor universitário Luís Pipa. Em estúdio Pipa interpretou dois temas: A «Sonatina», de Eurico Tomás de Lima; e «My Beutiful Blue Country», um tema de sua autoria baseado no hino nacional «A Portuguesa», de Alfredo Keil.

Pode acompanhar a conversa com estes dois músicos clicando aqui, aqui e aqui.

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“Não falta dinheiro em Portugal. Faltam é ideias. Eu vejo gastar muito dinheiro e não vejo ideias”
10 de Março de 2010, 23:00
Filed under: Música

Aos 70 anos, António Vitorino d’Almeida, ou melhor, o Maestro António Vitorino d’Almeida, está cheio de projectos na bagagem. Esta semana, o «Lugar à Cultura» contou com a presença do maestro que nos falou do que anda a fazer e do que pretende fazer a curto prazo. Tudo isto salpicado com a sua opinião acerca do que se faz, quer dizer, do que não se faz, em Portugal em prol da música, e, principalmente, dos músicos.

De momento anda entusiasmado com a finalização de um livro que o próprio designa de “uma autobiografia, mas uma autobiografia até aos meus 35 anos. Daí para a frente prefiro que sejam outros a escrever sobre mim”. Trata-se de um livro que relata, acima de tudo, as memórias de Vitorino d’Almeida, no período em que viveu e trabalhou em Viena de Austria. O título já está escolhido «Ao princípio era eu».

A viver em Portugal há 35anos, Vitorino d’Almeida não hesita em afirmar que “apesar do meu país ser Portugal, Viena é a minha cidade”. E é com saudade que recorda os tempos em que lá viveu. No entanto, dentro de pouco tempo vai matar saudades da “sua” cidade. A RTP desafiou-o a fazer uma série de programas, à semelhança do que fez antes de regressar a Portugal.

Relativamente ao panorama nacional, Vitorino d’Almeida considera que há muitos e bons músicos em Portugal. Não há é um investrimento nesta área e dá um exemplo: “há dois ou três anos, um ministro perguntava-me quanto custaria fazer uma orquestra. Respondi-lhe numa linguagem que ele percebeu dizendo-lhe que custaria, por mês, tanto quanto o Jardel e o João Pinto. Por aqui se vê que as coisas só não se fazem por uma enorme falta de ideias, porque dinheiro em Portugal há. Não há ideias. Pelo menos eu vejo gastar muito dinheiro e ideias não as vejo!!!”

Um outro assunto que abordámos com o maestro foi a Reforma por Mérito Artístico. Por indicação de Helena Roseta, há três anos, Vitorino d’Almeida teve conhecimento da existência dessa reforma e apresentou uma proposta ao governo no sentido de, à semelhança do que já acontece com muitos outros artistas de diversas áreas, lhe ser atribuída. O que é certo é que volvidos três anos continua sem resposta e sem lhe ser atribuída essa mesma reforma. “Penso que confundiram tudo. Devem pensar que se trata de um caso de indulgência. Se calhar preferiam que andásse a pedir esmola para depois me darem essa reforma, mas isso já não era reforma por mérito artístico, era outra coisa qualquer”, esclarece o maestro. Acrescentando: “Eles esquecem-se que eu até posso ganhar dinheiro num mês, mas passar três ou quatro meses, ou mais, sem ganhar nenhum. E depois começa-se a ouvri falar de crise e as coisas ainda se complicam mais…”. O que é certo é que até hoje não lhe foi dada qualquer resposta e continua sem receber uma coisa a que tem direito por mérito reconhecido tanto nacional como internacionalmente.

A conversa com o maestro – que aqui lhe apresentamos em três vídeos pode ser vista e ouvida clicando aquiaqui e aqui – foi ilustrada musicalmente (graças à Casa José Leite, de Braga, que nos colocou um piano no estúdio). Um cenário que muito lhe agradou, de tal forma que nos presenteou, logo no início, com a «Valsa de Chopin» e a meio da conversa com um semi-improviso.